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A Alemanha votou!

Primeiros resultados e análises

No dia 28 de setembro, a KAS Brasil e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) realizaram o evento "A Alemanha votou - Primeiros resultados e análises" como parte do amplo debate sobre "Realinhamentos políticos e econômicos globais e suas implicações para o Brasil" que as instituições estão conduzindo ao longo de 2021. A abertura foi feita por José Pio Borges, presidente do Conselho Curador do CEBRI, e Kevin Oswald, representante adjunto da KAS no Brasil. Compuseram a mesa de debates, Peter Fischer-Bollin, chefe da Divisão de Análise e Consultoria da KAS Berlim, e Roberto Jaguaribe, conselheiro do CEBRI e embaixador do Brasil na Alemanha, além de Astrid Prange, editora da Deutsche Welle e colunista da DW Brasil, quem fez a moderação. As eleições federais na Alemanha, ocorridas no dia 26 de setembro, têm foco na definição dos membros do Bundestag - Câmara baixa (Câmara de Deputados) - cujo resultado irá levar à formação do governo e escolha do novo chanceler. Isso, porque o sistema de governo é o parlamentarismo e é o Bundestag que oferece a base para a formação do governo portanto. Normalmente, o chanceler que irá formar o governo é do partido com o maior número de votos. Uma regra importante do sistema eleitoral alemão é a cláusula de barreira de 5% para o Parlamento Federal. No passado, em quase todas as eleições, tivemos dois partidos dominantes: CDU (União Democrata Cristã) e SPD (Partido Social Democrata). A CDU somente deixou de ganhar em 1972 e 1998, quando o SPD venceu. A terceira força política é o Partido Liberal Democrático (FDP) que somente uma vez na história recente não ultrapassou a cláusula de barreira de 5%. O FDP é um partido mais conservador e próximo do setor econômico. É de expressão liberal na política, mas não no mesmo sentido dos liberais dos EUA que são associados à esquerda. Outra força importante são os Verdes que lograram entrar no Bundestag em 1983 pela primeira vez. Temos ainda o Die Linke (A Esquerda), que entrou no Bundestag pela primeira vez depois da reunificação da Alemanha, em 1990, como partido que congregou o antigo Partido Comunista, legado da DDR (República Democrática Alemã). Na Alemanha, cada estado federado - são 16 - realiza seu próprio processo eleitoral com regras também distintas entre si. Estamos no fim do governo de Angela Merkel, primeira-ministra e chanceler da Alemanha desde 2005. Essa é a primeira vez em que o/a chanceler não busca a reeleição e isso mudou muito o ambiente eleitoral. A CDU tentou preparar uma sucessora para Angela Merkel, Annegret Kramp-Karrenbauer (AKK), que acabou renunciando à presidência do partido em fevereiro de 2020. Devido à pandemia da COVID-19, não foi possível realizar uma convenção para eleger um novo presidente do partido e somente em janeiro deste ano Armin Laschet, governador (Ministro Presidente) do estado da Renânia do Norte-Vestfália foi eleito presidente da CDU em conferência virtual e, depois, apontado como candidato a chanceler. Enquanto os outros partidos estavam em plena campanha, a CDU estava ainda definindo quem seria seu candidato e isso prejudicou a campanha. Finalmente, três candidatos apresentaram-se para a sucessão de Merkel: · Armin Laschet (CDU - União Democrata Cristã), governador do maior estado da Alemanha em termos econômicos e populacionais (NRW) com cidades conhecidas como Colônia e a capital Düsseldorf; · Olav Scholz (SPD - Partido Social Democrata), que foi vice-chanceler de Angela Merkel e ministro da Finanças, tendo sito também prefeito de Hamburgo e ex-ministro do Trabalho; · Annalena Baerbock (Die Grünen - Os Verdes), com 42 anos e presidente do partido. As tendências para uma composição do novo governo são três principalmente. 1ª opção: SPD + CDU (coalizão rubro-negra) tendo Scholz como chanceler; 2ª opção: SPD + Verdes + Liberais (coalizão semáforo) tendo também Scholz como chanceler; 3ª opção: CDU + Verdes + Liberais (coalizão Jamaica - em alusão às cores da bandeira daquele país. As consultas entre os partidos começaram já. O objetivo é de constituir uma base de governo tendo um programa comum e apoio de 50%+1 dos deputados (só a maioria simples poderá eleger um chanceler). Merkel ficará na sua função até que o novo mandatário tenha sido escolhido. Os expositores analisaram as perspectivas da nova configuração de poder e suas implicações no contexto internacional.
Para acessar a gravação do evento, clique aqui

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Carla Shores

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Coordenadora de Relações Institucionais

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