As atuais crises climática e de perda de biodiversidade global merecem a devida atenção, elas estão prejudicando igualmente e significativamente o meio ambiente, a infraestrutura, a economia, a saúde e o bem-estar de todas e todos. Assim, estratégias para conservar a biodiversidade e de mitigação às mudanças do clima são mutuamente benéficas e necessárias. Dado esse contexto, este ano é estratégico para alavancar a governança global acerca os desafios socioambientais. Serão realizadas a 27ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP 27) em Sharm El-Sheikh, Egito: a COP da implementação, como resultado se espera assegurar a continuidade das negociações do Acordo de Paris; e a 15ª Convenção de Diversidade Biológica, em Montreal, Canadá, sendo 2022 um ano-chave para a visão de longo prazo para a diversidade biológica e para a formulação do novo Quadro Global de Biodiversidade Pós-2020.
Os governos locais tem papel fundamental na realização das soluções pensadas nessas conferências, considerando que elas serão implementadas concretamente nas florestas, nas cidades e nas comunidades. Abrigando um quarto da população brasileira, as capitais brasileiras possuem grande responsabilidade em garantir a sustentabilidade do território em que essas pessoas vivem. Felizmente, as capitais brasileiras já desempenham a defesa do meio ambiente, sendo possível aumentar suas ambições e aprimorar suas ações na presente década no que tange o combate à mudança climática e a conservação, restauração e redução das ameaças contra a biodiversidade. Nesse sentido, o encontro, realizado em formato virtual, contou com a participação de convidados especialistas para debater estratégias e trocar experiências entre diferentes atores sobre a importância da proteção da biodiversidade.
Considerando que é fundamental a articulação de diversos atores e níveis de poder, o encontro abordou as atuações na agenda a nivel global, nacional, regional e local, além de apresentar como elas se integram. O Fórum iniciou a primeira sessão do encontro ‘Biodiversidade e Boas Práticas: importância e benefícios a nível nacional e global’ com a moderação de Leta Vieira, Gerente Técnica do ICLEI. Nathan Belcavello de Oliveira, Coordenador de Apoio à Gestão Regional e Urbana do Ministério do Desenvolvimento Regional, abordou que a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano Sustentável no Brasil tem o objetivo de fortalecer ações como as soluções baseadas na natureza, que muitas vezes dependem de uma articulação entre cidades e estados, ou seja, ele ressalta "(...) rabalhar as políticas públicas em um novo formato que não seja simplesmente repasse de recursos, mas em um processo de trocas”. Tiago Zenero, Assessor do Projeto Consolidação do SNUC/Lifeweb da GIZ Brasil, apresentou o projeto de aceleração de Unidades de Conservação da Natureza através do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC Life Web, com ferramentas para gestão desse espaço que "visa a expansão e diversificação econômica, baseada na sustentabilidade e no respeito às diferenças e com os espaços criados para a interação e integração dos cidadãos".
Já na sessão que discutiu sob a perspectiva local e regional, Rafael Andreguetto, Diretor de Políticas Ambientais da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo do Paraná, apresentou aos secretários o ICMS Ecológico, uma recompensa aos municípios para conservação ambiental e uma garantia para que o patrimônio natural seja conservado, mostrando o exemplo do Paraná. "Se queremos cumprir a 'Década da Ação', precisamos ir além do advocacy, pois a gente se habilita para fazer as coisas que são mais importantes. Não é não fazendo, mas vamos fazer rapidamente para investir em outras ações." - Paul Dale, Assessor Internacional e de Biodiversidade da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo, sobre a importância de trabalhar em cima de uma agenda de biodiversidade integrada com a agenda de mudanças climáticas.
Por fim, recebemos Oliver Hillel, Oficial de Programa da Secretaria da Convenção sobre Diversidade Biológica, que conversou com os secretários sobre a possibilidade de participação e atuação na COP15. Ele destacou, que diferente da governança sobre clima que acontece no âmbito da agência de ONU para clima, a CDB oferece um plano de trabalho específico para os governos locais, sendo assim não só recomendado, mas necessário a participação dessas instâncias para as negociações. Assim, encerramos com um chamado e um convite a todos os secretários de assinarem a Declaração de Edimburgo, que busca expressar os anseios, as contribuições, as demandas e os compromissos comuns dos governos subnacionais de todo o mundo na adoção e implementação da agenda de biodiversidade.