Perspectivas para as eleições 2026
Cadernos Adenauer 1/2026
A primeira edição de 2026 dos Cadernos Adenauer reúne oito capítulos dedicados aos principais temas que marcarão o cenário político brasileiro neste ano eleitoral. O capítulo de abertura apresenta reflexões sobre o que esperar do processo eleitoral, destacando tendências e possíveis cenários para o pleito.
Eleições 2026: intensidade, complexidade e desafios
Humberto Dantas
presente texto analisa as perspectivas para as eleições brasileiras de 2026 as observando como um pleito marcado pela continuidade da polarização entre lulismo e bolsonarismo, dificultando o surgimento de uma “terceira via” viável. Reforça esta percepção o fato de que os temas centrais ao eleitorado – segurança pública e bem-estar econômico – estão capturados pelos polos políticos dominantes. O cenário eleitoral tende a ser tenso, plebiscitário e altamente associado mais ao medo do adversário do que à adesão entusiasmada às principais candidaturas. O ensaio também aborda o papel crescente do Tribunal Superior Eleitoral, sobretudo diante da desinformação e do uso de inteligência artificial nas campanhas.
Mudanças na legislação eleitoral e seus efeitos sobre a governabilidade do executivo
Antônio Sérgio Araújo Fernandes
Marco Antonio Carvalho Teixeira
O artigo analisa os efeitos das recentes reformas eleitorais e partidárias no Brasil – especialmente a proibição das coligações proporcionais (2017), a introdução da cláusula de desempenho e a criação das federações partidárias (2022) – sobre a fragmentação do sistema partidário e as condições de governabilidade do executivo. A análise situa essas mudanças em uma trajetória institucional mais ampla: desde 1995 até o quadro atual.
Reforma tributária: um diagnóstico necessário para desmistificar possíveis inverdades que venham a ser propaladas em ano eleitoral
Sérgio Wulff Gobetti
O presente texto faz uma análise da reforma da tributação do consumo recentemente aprovada. Em resumo, o novo modelo de IVA dual que começará a vigorar gradualmente entre 2027 e 2033 deve reduzir as ineficiências produzidas pela guerra fiscal, superar a chamada “cumulatividade”, que onera cadeias mais longas e complexas, e atenuar a chamada “regressividade” por mecanismos mais diretos e modernos de desoneração, como o cashback, ainda que os lobbies que atuaram no Congresso tenham conseguido manter vivos inúmeras fontes de tratamento tributário preferencial, seja por meio de regimes especiais ou alíquotas reduzidas.
“Notícias sabidamente inverídicas e fatos gravemente descontextualizados” e desinformação em eleições no Brasil: construção normativa, debate conceitual e implicações regulatórias
Tatiana Dourado
Andressa Michelotti
Bruna Martins dos Santos
Este artigo propõe discutir a noção de “notícias sabidamente inverídicas e fatos gravemente descontextualizados” como mecanismo jurídico empregado no combate à desinformação eleitoral no Brasil. À luz de referenciais acadêmicos e corporativos sobre desinformação, discute-se uma interpretação possível desse tipo jurídico, considerando suas limitações frente ao recente processo de construção regulatória conduzido pelo Tribunal Superior Eleitoral para o controle da desinformação online.
O fim das coligações proporcionais e a reconfiguração das alianças majoritárias no Brasil
Bruno Marques Schaefer
artigo analisa como o fim das coligações proporcionais, estabelecido pela Emenda Constitucional nº 97/2017, afetou a formação de alianças nas disputas majoritárias estaduais no Brasil. O argumento central é que as coligações proporcionais funcionavam como mecanismo de coordenação entre as arenas majoritária e proporcional: partidos menores apoiavam candidatos ao Executivo em troca de vantagens estratégicas na disputa proporcional, sobretudo a soma de votos para o cálculo do quociente eleitoral. Com a extinção desse arranjo, os incentivos para alianças amplas nas eleições majoritárias se enfraquecem.
Desafios para o desenvolvimento econômico brasileiro
Márcia Miranda Soares
O Brasil avançou pelo século XXI mantendo sua incômoda situação de país rico e subdesenvolvido. O crescimento econômico baixo e instável dificultou a superação dos altos níveis de desigualdade social e a melhoria em indicadores sociais que colocam o país distante das nações mais desenvolvidas, apesar de sua riqueza. Este artigo tem como objetivo apresentar dois problemas que inibem o desenvolvimento econômico do país, a falta de investimentos públicos em infraestrutura e a baixa produtividade do trabalho, e fazer recomendações para melhorá-los. A partir de revisão bibliográfica e dados secundários, o artigo conclui que o país precisa encontrar espaço orçamentário para os investimentos públicos.
Meio ambiente nos ciclos eleitorais: somos arrastados ou conduzimos?
Adriana Maria Magalhães de Moura
O artigo traz reflexões sobre a questão ambiental no cenário político das Eleições Gerais de 2026. Nesse sentido, é importante que os eleitores se informem sobre as questões ambientais atuais e percebam que demandas frequentemente priorizadas pela sociedade – tais como saúde, segurança habitacional, acesso à água e a serviços básicos de saneamento – dependem direta ou indiretamente de uma melhor gestão ambiental.
(Des)alinhamento e política externa: disputa eleitoral no Brasil em uma ordem internacional em transformação
Marta Fernández Mônica Herz
artigo analisa como a política externa se tornou um elemento central da disputa eleitoral brasileira em um contexto de transformação da ordem internacional. A partir das diferentes candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026, as autoras argumentam que distintos projetos de inserção internacional refletem e reconfiguram clivagens domésticas. O texto contrapõe a estratégia de “não alinhamento ativo” do governo Lula – baseada em autonomia, multipolaridade, multilateralismo e diversificação de parcerias – à orientação de alinhamento preferencial aos Estados Unidos associada ao bolsonarismo.